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SEMPRE QUE CHOVE...
 | "Cause everytime it rains I fall to pieces So many memories the rains releases I feel you, I taste you, I can not forget Everytime it rains, I get wet" |
Everytime It Rains. Ace Of Base. "Pois toda vez que chove eu quebro em pedaços. Tantas memórias a chuva liberta. Eu te sinto, sinto seu gosto, não posso esquecer. Toda vez que chove, eu me molho." A quem a chuva não afeta? Quem não possui ao menos uma lembrança, boa ou má, relacionada ao derretimento dos céus? Eu tenho. Boas lembranças. Muito boas, aliás. E, quando chove, é inevitável. Elas voltam. Assim como a chuva, o cheiro e o paladar também atuam em nossos sentimentos. São implacáveis. Não se importam em causar sofrimento e são indiferentes se te colocam em um estado de êxtase. Mas existe uma área cinza nessas relações. Não é apenas branco e preto, sensação boa / sensação má. Veja meu exemplo: A chuva lembra a melhor semana da minha vida, que passei com uma garota muito especial, anos atrás. No auge dessa semana, saímos sob uma tempestade apenas pelo prazer de andar na chuva. Sim. Lembrança feliz. Mas, ao mesmo tempo em que tal memória me aquece, me lança a um pequeno martírio. Uma variação de nostalgia misturada com solidão. Assim como o cheiro de um perfume, que me entristece pelas circunstâncias em que eu o sentia, mas me dá uma maldita euforia que beira o masoquismo. Em suma, quando somos colocados em contato com esses fomentadores de memórias, não é o fenômeno que nos domina, mas as sensações que eles libertam. Você não ficará molhado pela chuva. Você ficará encharcado de lembranças. |
Escrito por Thiago às 22h12
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ABRA SEUS OLHOS!
"Constantly it burdens me Hard to trust and can't believe Lost the faith and lost the love When the day is done Will they open their eyes And realize we are one On and on we stand alone Until our day has come" Com um trecho da música 'Open Your Eyes', do Alter Bridge, dou início aos devaneios neste blog. "Isso me pesa constantemente, é difícil confiar e não poder acreditar, perder a fé e perder o amor quando o dia acaba" "Eles abrirão seus olhos e perceberão que somos alguém? Sem parar, nos levantamos sós, até que nosso dia chegue"
Em uma tradução literal, é o que diz este pequeno excerto. Agora vem a pergunta: por que? Por que essa música? Primeiro: ela não me sai da cabeça dos últimos dias, especialmente um trecho que, no decorrer deste post, aparecerá. Segundo: precisa de motivo? Terceiro: tudo bem, 'a música é a arte de manifestar os diversos sentimentos de nossa alma', e essa canção é uma parte desses meus atuais sentimentos. Esta será minha linha para postagens. Portanto, tal explicação será dada apenas desta vez. Paciência se ninguém compreender meus motivos daqui alguns anos.
Voltemos à música. Nosso dia vai chegar? O dia dos que confiam no amor, mas que, por feridas de batalhas, pararam de acreditar nele? Vou me restringir, por hora, apenas ao sentimento Amor. Porque ele é complexo o bastante pra vários e vários posts. Tomemos, então, uma linha de raciocínio. O que virá a seguir pode ser ataque para uns, apoio para outros. Dane-se. Não tenho intenção de sair por aí afagando o mundo. Por que o ser humano, em sua maioria, tem o hábito de valorizar o que tem somente quando perde? Por que nunca valorizam algo ou alguém que lhes têm muito apreço? É pela aventura? Pelo gosto de 'tentar algo difícil'? Pela idiotice de achar a grama do vizinho mais verde? Alguém aí sabe? Está achando o tom do post meio revoltado, meio dor-de-cotovelo? Pois é mesmo. Exatamente isso. Jóinha pra você. É triste passar dias, meses, quem sabe a vida inteira buscando algo, acreditando em algo, e sempre ter, no fim do caminho, um muro de 10 metros de altura revestido da mais lisa e escorregadia textura. Qualquer esforço, por maior que seja, parece em vão. De que adianta amar e não ser correspondido? De que adianta confiar em alguém sendo que esse alguém não merece? De que adianta, em resumo, a unilateralidade de um sentimento? Não acredito na insistência. Ela só produz paliativos. Insistir não é conquistar. Insistência é desespero, é falta de recursos. Falo isso porque já passei por isso, de insistir em um sentimento unilateral. E talvez esteja insistindo em outro semelhante.
Mas não vamos nos desviar do contexto da música. Tudo isso, desde a desvalorização do sentimento alheio até a falta de retorno em uma relação, produz seres assim como eu, céticos em relação à maior glória da vida, na minha opinião, que é encontrar 'a tampa da panela'. Enquanto essa glória banalizada e estuprada não chega, continuamos sós e amargos, 'semeando pedras do alto de nossa fria e desolada torre', como disse uma vez Vinicius de Morais.
Porque nós (ou eu, pelo menos), acreditamos ainda naquele Amor, com A maiúsculo. O dos contos-de-fadas, sabe? O do felizes-para-sempre. E olhe como está o mundo hoje. Todo dia você encontra o 'amor-da-sua-vida'. Ou algo próximo a isso. Não existe mais a fidelidade de sentimentos. É o tal livre arbítrio corrompendo a vida. "Hoje vou sair com a Ana. Eu sei que a Maria me adora, mas a Ana é uma gatinha e tá me dando bola. Não tenho nada com a Maria mesmo. E, no fim das contas, ela nem precisa ficar sabendo." A Maria vai ficar sabendo. E vai sofrer muito, porque ela acreditava que poderia ser sua. Afinal, você sempre a tratou tão bem. E olhe o que você fez: criou mais uma desiludida, mais um ser amargo. Não seria mais simples e com menos dor se você fosse sincero? "Maria, eu sei dos seus sentimentos por mim, mas eu não vou conseguir corresponder. Não quero te machucar, tente seguir sua vida sem mim. Desculpe." Maria choraria, se lamentaria, mas ainda teria você em alta conta se você saísse com a Ana logo depois, afinal, você foi sincero, não?
Voltemos à Maria magoada. Ela não vai te esquecer. Você vai continuar tratando-a bem. Ela vai continuar alimentando o sentimento. E ferindo-se diariamente. Enquanto você não agir como deve agir, colocando tudo em pratos limpos, Maria agirá como uma idiota sem personalidade. Porque ela te ama demais, ela não vai apagar isso. Essa é a sua função. Você, que não sente o mesmo por ela. Você a prende em sua gaiola, mesmo sem querer. Portanto, trate de soltá-la se seu canto não lhe agrada. Abra seus olhos e perceba que ela é alguém. Não prolongue seu sofrimento.
"It's hard to walk this path alone Hard to know which way to go"
"É difícil seguir este caminho sozinho, difícil saber qual caminho seguir"
Taí o tal trecho especial que não me sai da cabeça. Sim, é horrível trilhar o caminho da vida sozinho. Mas é ainda mais difícil trilhá-lo com a pessoa errada. Por isso é complicado decidir entre continuar acreditando nos sentimentos, mesmo que unilaterais, ou passar por cima deles, tentar esquecê-los e seguir a vida. Pensando friamente, não é difícil escolher. Mas o tal amor é mesmo uma desgraça...
Escrito por Thiago às 23h29
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